A Prefeitura de Jequié e representantes dos povos originários estiveram reunidos no prédio-sede da Prefeitura, na segunda-feira, 11, para discutir as demandas e execução das políticas públicas voltadas a esse segmento. Estiveram presentes o prefeito de Jequié, Flávio Santana, o Flavinho; a secretária de Desenvolvimento Social, Patrícia Miranda Brandão Santana; o secretário de Governo, Matheus Silva dos Anjos; o secretário de Agricultura, Irrigação e Meio Ambiente, José Claudemiro Passos; o secretário de Cultura e Turismo, Domingos Ailton; o procurador-geral do município, Daniel Quadros; a articuladora da Política Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Ariadini de Almeida Dócio; os representantes dos povos originários, a cacica Ana Paula Evangelista de Santana Almeida Tupinambá; o pajé Joelson Almeida Santos Kariri-Sapuyá; as lideranças indígenas, Elismar Mota dos Santos Tupinambá e Elenilda Barvai Kariri-Sapuyá, além de Grasiele Alves Lopes de Andrade Aticum Umã.

A iniciativa integra uma agenda de fortalecimento institucional e de promoção da equidade, alinhada às diretrizes de inclusão social e reconhecimento das comunidades tradicionais no município. Durante a reunião, foram discutidas pautas fundamentais como a implantação da Política Municipal de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), alinhada às metas do Selo UNICEF 2025-2028, ao qual o município aderiu. Dados do Censo 2022 evidenciam a presença de 289 pessoas autodeclaradas indígenas em Jequié, pertencentes a 23 etnias distintas, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas.
Como resultado do encontro, foi instituído pelo prefeito, Falvinho, a criação de uma Comissão Municipal de Negociação Permanente, com foco na construção de soluções, elaboração de estudos e garantia de direitos. A iniciativa representa um avanço significativo no reconhecimento, valorização e reparação histórica dos povos indígenas no município.

“Somos uma comunidade multiétnica, formada por membros de diversos povos indígenas que vivem no contexto urbano, em razão da expropriação territorial. Esses povos se organizam coletivamente para fortalecer a cultura a partir dos modos tradicionais do plantio, onde a terra é o lugar que se planta e o território é o lugar onde se vive. Esse fato não apaga a nossa identidade étnica, mas fortalece a luta pela garantia dos nossos direitos e a saída da invisibilidade na estrutura do Estado brasileiro. Ter um território próprio é de suma importância para a perpetuação da nossa cultura, por isso esta reunião é tão significativa para nós.”, disse a cacica Ana Paula Evangelista de Santana Almeida Tupinambá.